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FILOSOFIA E PSICOLOGIA: A DIALÉTICA


A influência do pensamento platônico e aristotélico na Filosofia medieval teve um impacto significativo no período da Idade Média. Esse período filosófico pode ser dividido em duas grandes correntes: a Filosofia Patrística e a Filosofia Escolástica. A Filosofia Patrística, que veio antes da Escolástica, tinha um caráter apologético, buscando defender os ideais cristãos e converter os pagãos. Nesse período, houve uma retomada da Filosofia platônica, especialmente através das obras de Santo Agostinho, assim como do neoplatonismo. Já a Filosofia Escolástica foi representada principalmente por São Tomás de Aquino.

Santo Agostinho, inspirado por Platão, também fazia uma distinção entre alma e corpo. No entanto, para ele, a alma não era apenas a sede da razão, mas também uma manifestação divina no ser humano. A alma era considerada imortal por ser o elemento que conecta o homem a Deus. Como a alma também é a sede do pensamento, a Igreja passou a se preocupar com sua compreensão.

São Tomás de Aquino, por sua vez, viveu em um período de transição na Igreja Católica, com o surgimento do protestantismo e as transformações sociais e econômicas, como a transição para o capitalismo e as revoluções na França e na Inglaterra. Aquino buscou em Aristóteles a distinção entre essência e existência. Assim como o filósofo grego, ele acreditava que o homem, em sua essência, busca a perfeição através de sua existência. No entanto, ele introduziu o ponto de vista religioso, afirmando que somente Deus seria capaz de reunir essência e existência em igualdade. Portanto, a busca pela perfeição pelo homem seria a busca por Deus. Aquino encontrou argumentos racionais para justificar os dogmas da Igreja e manteve o monopólio do estudo do psiquismo para ela.


No campo da psicologia, Santo Agostinho trouxe contribuições importantes, defendendo a procura da verdade no interior do ser humano e enfatizando a interioridade e a introspecção. Sua abordagem autobiográfica influenciou pensadores ao longo dos séculos. Agostinho também desenvolveu uma teoria da percepção, que não se limitava apenas às sensações, mas considerava a percepção como uma forma que muitas vezes refletia a imagem do objeto, em vez de ser o objeto em si. Ele também estabeleceu uma relação estreita entre a atenção e a vontade, afirmando que toda atividade mental pressupõe esses elementos.

Já a psicologia de Tomás de Aquino, baseada na filosofia de Aristóteles, entende a alma como o princípio da vida animal, atribuindo-lhe uma perspectiva biológica. Aquino valorizava o papel da aprendizagem no desenvolvimento da inteligência e da vontade, bem como na formação das emoções. Ele também colocava a busca pela felicidade no centro de seu pensamento, entendendo-a como a superação dos pecados e vícios e o crescimento

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